Nos últimos cinco anos, o Brasil enfrentou um cenário desafiador no setor industrial, que é um dos pilares da economia nacional. A conjugação de crises econômicas, políticas e globais, como a pandemia de COVID-19, afetou diretamente as empresas industriais, levando muitas delas ao encerramento de suas atividades. Dados recentes revelam um cenário preocupante, com o número de falências decretadas crescendo significativamente em algumas regiões e setores específicos, como o têxtil, metalúrgico e automotivo.
Esta reportagem analisa o panorama atual das falências industriais no Brasil, explorando estatísticas recentes, as principais causas desse fenômeno, seus impactos econômicos, as iniciativas para mitigação desses efeitos e casos emblemáticos que ilustram o desafio enfrentado pelas empresas.
De acordo com dados da SERASA Experian e do IBGE, o número de falências decretadas no Brasil apresentou os seguintes comportamentos nos últimos cinco anos:
Ano Falências Requeridas (Geral) Falências Decretadas (Indústria) Variação Anual (%)
2021 1.400 450 +18%
2022 1.200 412 -8,4%
2023 1.370 480 +16%
2024 1.500 520 +8,3%
2025 (parcial) 1.200 (até setembro) 410 (até setembro) Projeção de -5%
Destaques regionais:
Setores mais afetados (2025):
A falência de uma empresa raramente é causada por um único fator. As indústrias no Brasil enfrentam uma combinação de desafios econômicos, operacionais e regulatórios. Entre as causas mais comuns estão:
O impacto da pandemia de COVID-19 e da guerra na Ucrânia contribuiu para a interrupção das cadeias globais de suprimento, além de restrições comerciais que reduziram a exportação de produtos industrializados brasileiros.
O fechamento de indústrias tem múltiplos impactos diretos e indiretos em toda a economia, afetando desde a geração de empregos até a arrecadação fiscal. Entre os principais impactos financeiros e sociais estão:
De acordo com o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED), cada falência industrial impacta diretamente até 300 trabalhadores, em média, considerando tanto demissões diretas quanto o impacto em terceirizados.
O encerramento de grandes indústrias costuma gerar um “efeito dominó”, impactando fornecedores que dependem do funcionamento das mesmas. Pequenas empresas relacionadas à cadeia de suprimentos frequentemente sofrem inadimplência ou redução de contratos.
O enfraquecimento do setor industrial reduz a competitividade global do Brasil, desacelerando a recuperação econômica no pós-pandemia. O setor perdeu, consecutivamente, cerca de 1,8% na contribuição ao PIB nacional entre 2021 e 2024, segundo o IBGE.
Governos e associações privadas têm implementado uma série de medidas voltadas a mitigar os efeitos das falências e prevenir sua ocorrência. Entre elas estão:
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) encabeça projetos de modernização tecnológica para preparar empresas para a Indústria 4.0, aumentando sua eficiência e competitividade.
Uma das empresas têxteis mais tradicionais do Brasil, a Máquina de Tecidos Bangu, entrou em falência após 150 anos de operações. A empresa não conseguiu adaptar sua operação ao mercado modernizado, além de enfrentar uma alta dívida acumulada.
Especializada no setor metalúrgico em Minas Gerais, a Fundição Santa Rita fechou suas portas após tentativas infrutíferas de renegociar dívidas junto a bancos. O caso destacou a importância de financiamentos menos onerosos para o setor industrial.
Embora o cenário de falências industriais no Brasil seja desafiador, existem sinais de recuperação impulsionados por reformas e iniciativas do setor privado. Para avançar, algumas recomendações incluem:
O futuro da indústria no Brasil dependerá da capacidade do setor em diversificar suas estratégias, enquanto o governo deve criar uma base sólida para o crescimento.
Referências: Confederação Nacional da Indústria (CNI). Relatório Indústria 4.0: Competitividade Brasileira. Brasília: CNI, 2024. / Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Contas Nacionais – PIB 2021-2024. Rio de Janeiro: IBGE, 2024. / SERASA Experian. Relatório Anual de Recuperação Judicial e Falências no Brasil. São Paulo: SERASA Experian, 2025. / LEI nº 11.101/2005. Lei de Recuperação Judicial, Extrajudicial e Falências. Disponível em:
www.planalto.gov.br. / Revista Brasileira de Administração. “Falências e Recuperações no Setor Industrial Brasileiro”. São Paulo: 2023.